Notícias / Ciclismo de pista

XANGAI 2026 · SELEÇÃO NACIONAL

Portugal na pista:
o trabalho por trás das medalhas e o caminho para Los Angeles

Quatro medalhas, uma preparação construída ao longo de anos e um novo ciclo olímpico já em andamento.

Loja das Bicicletas6 min de leitura
Iúri Leitão, ao centro com a camisola de campeão do mundo, no pódio do omnium em Xangai
Iúri Leitão conquistou o título mundial de omnium. Fotografia: UCI, via FPC.
ouroIúri LeitãoOmnium
prataIúri Leitão · Ivo OliveiraMadison
bronzeMaria MartinsScratch
bronzeMiguel SalgueiroCorrida por pontos

Quatro medalhas em quatro provas

Quatro medalhas no Mundial de Xangai colocaram o ciclismo de pista português novamente em destaque. Mas o resultado convida a olhar para além do pódio: como chegou Portugal a este nível e o que significam estas conquistas para Los Angeles 2028?

O Mundial, disputado entre 14 e 18 de outubro, terminou com ouro de Iúri Leitão no omnium, prata de Leitão e Ivo Oliveira no madison e bronzes de Maria Martins no scratch e Miguel Salgueiro na corrida por pontos. Foi a melhor participação portuguesa de sempre num Mundial de pista, segundo a Federação Portuguesa de Ciclismo.

O pódio do madison masculino, com a dupla portuguesa no segundo lugar
Iúri Leitão e Ivo Oliveira, à esquerda, no segundo lugar do pódio do madison. Fotografia: UCI, via FPC.
Maria Martins com a medalha de bronze, acompanhada pela equipa técnica portuguesa
Maria Martins com a equipa portuguesa, após o bronze no scratch. Fotografia: FPC.

ANADIA · TREINO · FORMAÇÃO

O que ajuda a explicar este momento?

Uma parte da explicação encontra-se em Sangalhos, no concelho de Anadia. Inaugurado em 2009, o Velódromo Nacional oferece uma pista coberta de 250 metros e instalações para estágios, preparação física e recuperação. Ter uma base própria permite trabalhar regularmente as exigências da pista, desde as trajetórias aos momentos de aceleração e aos movimentos em grupo. É uma peça importante para compreender esta evolução. Velódromo Nacional

Há também um trabalho técnico que raramente chega às imagens das medalhas. Numa reportagem de 2021, a própria Federação já mostrava a seleção de Gabriel Mendes a realizar avaliações de capacidade aeróbica, testes de lactato e treino técnico em Anadia. Iúri Leitão, Maria Martins e Miguel Salgueiro já integravam esse grupo. Os dados serviam para ajustar a preparação de cada corredor; a experiência dos mais rodados também era transmitida aos colegas. Essa documentação ajuda a perceber a continuidade do projeto e a atenção ao detalhe que acompanha o talento. Um dia em estágio com a seleção

Uma atleta da seleção realiza testes de avaliação com máscara de análise de gases, em Anadia, em 2021
Avaliação fisiológica num estágio da seleção em Anadia. Imagem de arquivo de março de 2021. Fotografia: FPC.

O trabalho inclui quem ainda está a chegar. Em março de 2026, a seleção júnior reuniu seis corredores em Anadia para desenvolver competências específicas e avaliar o seu potencial para o alto rendimento. A Federação apresentou o grupo como aberto à observação de mais atletas. A formação e a renovação são essenciais para que os resultados possam continuar para além dos nomes mais conhecidos. Estágio da seleção júnior

LOS ANGELES 2028

O caminho olímpico já começou

Xangai trouxe outro dado importante: o caminho para Los Angeles 2028 já começou. Segundo a Federação, este Mundial foi a primeira competição do ciclo de qualificação olímpica disputada pela seleção e contou para o ranking de apuramento de omnium e madison. O ouro e a prata nestas provas têm, por isso, valor também na construção da presença portuguesa nos próximos Jogos.

O apuramento continua em disputa até 2028. As restantes disciplinas também contam para os rankings UCI que permitem chegar ao Mundial seguinte. Para a seleção, o desafio passa por manter a regularidade ao longo do calendário e voltar a apresentar-se nas grandes competições em condições de disputar os primeiros lugares. O início do caminho para LA2028

PARA ACOMPANHAR AS PRÓXIMAS PROVAS

O que distingue cada disciplina?

Para acompanhar as próximas provas, estas são as disciplinas das medalhas portuguesas:

Omnium

quatro corridas no mesmo dia: scratch, tempo, eliminação e corrida por pontos. Na tempo pontua-se por passagens na frente; na eliminação vai saindo o último nos sprints previstos. As três primeiras provas dão uma pontuação de partida para a corrida por pontos, que decide o vencedor.

Madison

prova em duplas, com os ciclistas a alternarem entre esforço e recuperação, através de relevos habitualmente feitos com um lançamento pela mão. Somam-se pontos nos sprints e nas voltas ganhas ao pelotão.

Scratch

corrida em pelotão em que vence quem completa primeiro a distância. Ganhar uma volta aos adversários pode decidir a prova antes do sprint final.

Corrida por pontos

vence quem soma mais pontos nos sprints e nas voltas ganhas. Ganhar uma volta vale 20 pontos; o último sprint pontua a dobrar. Chegar primeiro à meta não garante a vitória.

As explicações da UCI ajudam a acompanhar estas provas de resistência, velocidade e decisão tática.

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